A questão dos escândalos na Igreja

        Recentemente, fomos bombardeados pela mídia com inúmeras notícias de escândalos sexuais atribuídos a alguns padres. Diante disso, o que dizer às pessoas que nos questionam? Creio que em primeiro lugar, devemos assumir algumas verdades, tipo: os crimes cometidos por esse tipo de sacerdote não tem desculpa nem justificação. São crimes; esses sacerdotes de forma alguma são modelo de vida cristã. Em seguida, mostrar a superficialidade e o sensacionalismo no trato de questões tão importantes. Essas são algumas das marcas de nossa mídia. Basta lembrar a recente cobertura do julgamento dos Nardoni. Um espetáculo que conseguiu fazer com que milhares de pessoas se deslocassem para as imediações do Fórum em Santana, mas pouco ou nada refletiu sobre o porquê acontecem tais crimes? Ou, qual seria a relação deles com a desestruturação de nossas famílias? São questionamentos colocados de lado, até porque, se tratados, certamente sobraria duras críticas para a mídia, pois como explicariam o fato de exibirem programas medíocres, imorais e vulgares como o grande irmão? É lamentável, por exemplo, que bebidas alcoólicas e certos comportamentos sexuais sejam transmitidos como comum e até como modelo de pessoa bem ajustada à modernidade. Isso mostra a superficialidade, o sensacionalismo e também a mediocridade com que são tratados temas tão delicados e importantes para nossa sociedade.

        Mas além de constatarmos que a mídia produz um noticiário voltado apenas para a exploração do acontecido sem se importar com a discussão das causas, dos elementos psicológicos e sociais envolvidos e da formação humana de cada individuo, podemos mostrar ainda o anticatolicismo que marca a disseminação dessas notícias. João Pereira Coutinho escreveu no jornal Folha de São Paulo do dia 23/03/10: “Sejam sinceros: ‘quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário anticatólico do Ocidente’”. Noutras palavras, há um desejo claro e deliberado de perseguir e prejudicar a Igreja, atitude talvez explicada pelo fato da Igreja não concordar com a sexualidade descompromissada, irresponsável e perversa, muitas vezes proposta por esses mesmos meios de comunicação.

        Outro ponto a tratar seria o fato desses crimes existirem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas, inclusive onde o celibato não é obrigatório, como destaca o mesmo autor do artigo acima citado. Tal constatação derruba a tese segunda a qual, para resolver problema sexual na Igreja, bastaria acabar com o celibato obrigatório. Tal solução seria grande engano uma vez que nossas famílias são sacudidas todos os dias com adultérios, traições, abusos e violência sexual principalmente contra as crianças. Pesquisa feita recentemente nos E.U.A. mostra que a maioria absoluta dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes acontecem em ambiente familiar. Nesta altura da reflexão, podemos afirmar que temos um problema social grave a ser tratado, e não simplesmente um problema eclesial, isto é, da Igreja. Sempre que houver famílias desestruturadas, sempre que houver desequilíbrio emocional, haverá também possibilidade de na Igreja, aparecerem problemas de desvios sexuais e morais. A Igreja não é formada por homens tirados de um ninho especial, mas de homens e mulheres tirados do meio do povo. Não que isso justifique crimes, mas pode nos ajudar a refleti-los melhor.

        Se lermos o artigo da Folha citado, constataremos ainda três pontos importantes. O primeiro, um elogio à atitude do Papa Bento 16 em escrever uma carta plena de coragem e dignidade ao clero na Irlanda, condenando os abusadores, pedindo perdão às vitimas e esperando que a justiça faça o seu caminho. O segundo, uma constatação de que há uma preguiça jornalística e também uma deliberada atitude anticatólica no trato de tais questões. Por último, o jornalista cita um dado importante sobre o qual os jornalistas em geral deveriam se debruçar mais: Na Alemanha, por exemplo, houve, desde 1995, 210 mil denúncias de abuso a menores. Dessas 210 mil, 0, 2 % são atribuídas a padres católicos. De quem seria a responsabilidade pelos 99, 8% dos outros casos? Possa esse último dado, nos indicar a necessidade de uma reflexão mais seria e profunda sobre esse grande e delicado problema, sem com isso, justificar sequer um abuso a crianças e menores.

        Enfim, não tenhamos medo de enfrentar a verdade. “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo 8, 32). O Espírito de Deus age toda vez que a verdade se manifesta. Age, sobretudo, nos pecadores. No mais, é preciso lembrar que em todas as épocas, a Igreja enfrentou desafios, perseguições e nunca foi derrotada porque a promessa do Senhor é eterna: “As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). 

 

 

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