Bento XVI aos sacerdotes (III): celibato antecipa o céu

Diálogo entre o Papa e os presbíteros do mundo inteiro

 

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 17 de junho de 2010 (ZENIT.org) - O sentido profundo do celibato em um sacerdote é que antecipa a vida plena da ressurreição. Assim respondeu o Papa Bento XVI, no último dia 10 de junho, à pergunta que o eslovaco Karol Miklosko lhe dirigiu em nome dos sacerdotes da Europa.

Durante a vigília de encerramento do Ano Sacerdotal, realizada na Praça de São Pedro, o Papa explicou aos milhares de sacerdotes presentes que o celibato sacerdotal, hoje tão questionado, supõe uma consequência da união do "eu" do sacerdote com Cristo.

Isso, afirmou, significa que o sacerdote "é ‘atraído' também à sua realidade de ressuscitado, que seguimos adiante rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos saduceus no capítulo 22 de São Mateus: é uma vida ‘nova', na qual já estamos muito além do matrimônio".

"É importante que nos deixemos penetrar novamente por esta identificação do ‘eu' de Cristo conosco, desse ser ‘tirados' e conduzidos ao mundo da ressurreição - prosseguiu. Neste sentido, o celibato é uma antecipação" do céu.

O problema da cristandade no mundo de hoje, sublinhou o Papa, "é que já não se pensa no futuro de Deus: parece suficiente somente o presente deste mundo. Queremos ter somente este mundo, viver só neste mundo. Assim, fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência".

"O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que é vivido por nós já como presente. Viver, portanto, como um testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar minha vida sobre Cristo, sobre a vida futura."

Celibato e matrimônio

Bento XVI reconheceu que, "para o mundo agnóstico, o mundo com o qual Deus não tem nada a ver, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade".

"Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isso deveria desaparecer!"

De certa forma, "pode surpreender esta crítica permanente contra o celibato, em uma época em que está cada vez mais de moda não se casar".

No entanto, "este não se casar é algo total e fundamentalmente diferente do celibato, porque o não se casar se baseia na vontade de viver só para si mesmos, de não aceitar nenhum vínculo definitivo, de ter a vida em todo momento em uma autonomia plena, decidir em cada momento o que fazer, o que aproveitar da vida".

Este "celibato moderno" é um "não" ao vínculo, um "não" à definitividade, "um ter a vida só para si mesmo. Por outro lado, o celibato é precisamente o contrário: é um ‘sim' definitivo, é um deixar-se conduzir por Deus, entregar-se nas mãos do Senhor".

O celibato em um sacerdote "é um ato de fidelidade e de confiança, um ato que supõe também a fidelidade do matrimônio; é precisamente o contrário desse ‘não', dessa autonomia que não quer obrigar-se, que não quer entrar em um vínculo; é precisamente o ‘sim' definitivo que supõe e confirma o ‘sim' definitivo do matrimônio".

Por isso, acrescentou, "o celibato confirma o ‘sim' do matrimônio com seu ‘sim' ao mundo futuro, e assim queremos seguir adiante e tornar presente este escândalo de uma fé que coloca toda a sua existência em Deus".

Este "escândalo da fé", concluiu o Papa, não deve ficar escurecido pelos "escândalos secundários" provocados pelas fraquezas dos sacerdotes. "O celibato - são precisamente as críticas que mostram isso - é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo."

 

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