Entrevista

Dom Paulo Evaristo Arns 

Padre há 65 anos, Dom Paulo Evaristo Arns, foi o 5º Arcebisbo e o 3º Cardeal da Arquidiocese de São Paulo.

Ele ingressou na ordem  
franciscana em 1939, frequentou a Universidade Sorbonne de Paris, onde laureou-se em Patrística e Línguas clássicas. Foi professor e mestre dos clérigos  e jornalista profissional. 

Com mais de 50 livros publicados, há dois anos escreveu o livro, Ano Sacertodal 2009/2010 - Reminiscências e Testemunhos,  que conta parte da sua trajetória na formação de vários padres e a história de pessoas como: Monsenhor Bastos, Monsenhor Roxo e Pe. Godinho. O livro é resultado parcial da sua dedicação aos padres. 

RVM - Como o Sr. vê este ano Sacerdotal para Igreja?

D. Paulo - O Ano Sacerdotal talvez seja a notícia mais decisiva do Papa Bento XVI. Ele fez algumas coisas que incomodaram os muçulmanos, os judeus, mas o Ano Sacerdotal não. Eu recebo revistas de outros países, como Japão, Itália e Alemanha e todos eles louvam o Ano Sacerdotal.

RVM - O que motivou o Sr. a escrever o livro?

D. Paulo - Foi exatamente a visita de Dom Pedro Luiz e leitura que ele fez do meu fichário, com as reminiscências que eu tinha escrito durante anos da minha vida, mas não pensava em publicar, era apenas para consultar.

RVM - O Sr. acha que nos precisamos de mais sacerdotes que deem testemunho do amor de Deus e da sua vocação?

D. Paulo - O número é importante, sobretudo nos lugares onde temos poucas comunidades, como na Amazônia, mas o mais importante é qualidade. O padre precisa saber entusiasmar o povo, ir para frente quando todo mundo vai para trás. Eles devem compreender bem os velhinhos, que é uma idade que ingrata para os outros que precisam sustentar, mas já não produzem. Outra coisa é saber tratar a juventude, trazer as palavras que de fato vai constituir o cerne da vida, fazer aquilo que vai permear a nossa vida e dizer com convicção aquilo que se viveu. 

RVM - Qual o maior desafio de ser padre?

D. Paulo - Na minha opinião, é viver sozinho. Santo Inácio de Antorquia nunca fala do padre sozinho, ele fala sempre do presbitério, não do presbítero. Os padres devem cuidar de toda Igreja e um animar e sustentar o outro, devem apoiar-se mutuamente para a vida e também para inspiração. É muito importante a gente criar novamente a ideia da comunhão de padres, não do presbitério, porque isso significa todos os padres reunidos, mas a comunhão de intenções, de ações e de vida, o gosto de reunir-se. O dia da semana, que normalmente é a segunda-feira, é obrigação fazer férias.

Eu vinha aqui para falar com as irmãs e para escrever, escrevi 58 livros aqui, mas o maior incentivo para os padres é a comunhão entre eles e com o bispo. O bispo deve ser pai, amigo, protetor, animador, e não ter medo dos insultos.

Mensagens:

Aos Leitores: 

D. Paulo - Aos leitores da Revista Vida e Missão. Em primeiro lugar eu gostaria de dar uma grande bênção que vem do coração de Deus ao coração humano. Que as crianças cresçam alegres e cheios de esperanças, que os jovens transmitam entusiasmos aos outros e que os adultos saibam que esse tempo é decisivo para a humanidade. É preciso encerrar o ano 2010 com uma esperança nova, assim como devemos fazer todos os anos e todos os dias da vida. Deus é bom e devemos ser bom com Ele. 

Aos meus Queridos Padres: 

D. Paulo - Eu passei a minha vida sonhando ser formador de padres. Quando fui ordenado o meu superior naquele tempo me disse: Vai estudar na França para se formar como professor e educador no seminário. Eu sonhei a minha vida inteira com isso, mas acabou acontecendo o contrário: os padres me formaram. Eu aprendi mais com eles, do que eles comigo. Por isso é que eu agradeço e peço perseverança e lealdade para com Jesus, para com o Espírito Santo que nos dá forças todos os dias.

Que Deus abençoe a todos os padres!

 

 

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