Células de Evangelização: Relato de experiência

A idéia das células nasceu inspirada nas exigências da nossa diocese que desejava que cada paróquia criasse pequenos grupos a fim de dar conta das necessidades individuais que se perdem de vista em grupos maiores. 

Foi-se o tempo (quanta saudade!) em que bastava o sino tocar para o povo começar a se mexer em direção à igreja ou à capelinha simplória, enfeitada como para uma grande festa. Nos dias de hoje, o sino incomoda, tira o sono daqueles que fazem do domingo apenas um dia para dormir até mais tarde. 

Diante desse fato, típico de uma sociedade apressada, sem dar a Deus o luxo de ter um lugar reservado na agenda, o padre não pode jamais ser o mesmo e nem mesmo aproveitar resultados que se mostraram significativos no passado. Aquilo que funcionava no passado, hoje não funciona mais. A mentalidade hoje é outra, os costumes são mais permissivos, a religiosidade, mais intimista, não passando, deste modo, de uma fina película cuja única função é a de envolver sentimentos e exacerbar emoções.  

Pessoas assim NUNCA virão à igreja. O que então nos resta fazer senão levar a Igreja até elas? 

O trabalho em condomínios e prédios, pelo menos no início, é desgastante e chato: a reunião acontece bem na hora da novela, e isso é um problema, especialmente quando está passando o último capítulo. Quando chove e faz frio, a chatice dobra de tamanho. Melhor um bom cobertor, chocolate quente e um ótimo filme. 

Mas, e as ovelhas desgarradas? E a tomada de cruz? E a obediência à ordem do Senhor: “Ide e pregai”? A vontade de desistir é a grande tentação nesses momentos. 

Um dia surgiu a ideia de reunir essas pessoas para um retiro. Três dias de espiritualidade, de partilha da vida e dificuldades enfrentadas no dia a dia. 

E depois desse encontro? Despediríamos as multidões sem lhes garantir sustento frequente? Chamamos de volta todos os que haviam participado daqueles retiros que apelidamos de oficinas, pois de fato funcionam assim e propusemos acompanhamento mais frequente e constante. Dividimos os grupos presentes em pequenas comunidades que se comprometiam em se reunir semanalmente. 

O início é sempre estranho, é um “não saber o que se está fazendo ali”. Para falar a verdade, cada um fazia o que queria. Rezava-se o terço, lia-se partes da bíblia, conversava-se e tudo terminava com um jantar regado a bebidas alcoólicas. No fundo, tratava-se mais de uma reunião social do que verdadeiramente espiritual. 

Era preciso dar uma identidade aos grupos, oferecer um ponto de partida e foi assim, vendo, prestando atenção e, sobretudo, ouvindo, que surgiu a ideia de buscar na Tradição da Igreja, no exemplo e na doutrina dos nossos pais, algo mais sólido a fim de alimentar essas pessoas na fome do espírito que sentiam, mas não tinham consciência. A ideia da Lectio Divina nas reuniões aconteceu a partir disso.

 

Lectio Divina não se resume em uma mera leitura da Palavra Divina inspirada na bíblia. Tem que ser sentida como umlogos, isto é, uma palavra diferenciada que não apenas fala aos nossos ouvidos, mas que tem o poder de transformar e transbordar nos corações. É uma palavra que, além de lida e meditada, se torna oração que conduz à vivência litúrgica. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, “a Lectio Divina em que a palavra de Deus é lida e meditada para tornar-se oração, está assim enraizada à celebração litúrgica” (1177).  

Pouco a pouco os membros das comunidades começaram a entender que a meditação da Palavra de Deus tem o poder de mobilizar os pensamentos, desejos, vontades e uni-las todas num único centro: na disposição de seguir Jesus com um desejo sempre crescente de conversão e transformação espiritual. 

Hoje, temos doze comunidades de evangelização, com uma média de dez pessoas em cada uma. Uma vez por mês temos a “missa das comunidades”, uma reunião com a liderança e o retiro anual, com a participação da grande maioria. Os desafios continuam, mas se transformam em momentos raros e importantes de amadurecimento. Com a Palavra de Deus e a Eucaristia como centro da nossa experiência, estamos dando passos largos! 

 

Pe. Alfredo Veiga

Pároco da Paróquia Santo Antonio do Caxingui

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