Debate entre candidatos a presidência da República promovido pela CNBB trata de assuntos polêmicos e alcança primeiro lugar nas redes sociais

“Foi um debate muito proveitoso para todos que o acompanharam através dos meios de comunicação porque transcorreu, de certo modo, com todo respeito, com certa tranqüilidade entre os candidatos à presidência da República e foi uma oportunidade que a CNBB oferece para que se possa avaliar melhor os candidatos depois de um debate como este onde várias questões foram colocadas aos candidatos para que eles se manifestassem a respeito”. Esta foi a avaliação que o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – e Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis fez do debate com os principais candidatos à presidência da República, promovido pela entidade e transmitido pela TV Aparecida e demais meios de comunicação católicos. 

Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidélix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Evaraldo (PSC) debateram por duas horas, suas idéias para serem colocadas em prática nos próximos anos. 

A primeira pergunta feita a todos os candidatos foi feita pelo presidente da CNBB. Os senhores conhecem o projeto de reforma política encampado pela CNBB. Que opinião tem dos pontos: impedir financiamento de campanha por empresas privadas, eleições em dois turnos, maior participação das mulheres e regulamentação do artigo 14 da Constituição – sobre o voto universal e secreto? 

Após saudarem o público e agradecerem por participarem do debate, os oito candidatos foram unânimes em afirmar que são a favor da reforma política porém, os programas eleitorais que foram entregues no Tribunal Superior Eleitoral – pelo menos dos três primeiros colocados, Dilma, Marina e Aécio – falam em reforma política, mas não defendem o financiamento público nas campanhas. 

No segundo bloco do debate, oito Bispos escolhidos pela CNBB fizeram perguntas aos candidatos, que eram sorteados na hora. O primeiro a questionar foi Dom Vilson Basso, Bispo de Caxias do Maranhão – MA. Sua pergunta foi sobre a juventude que sofre com a falta de oportunidades e convive com a violência e as drogas. A candidata Marina Silva foi sorteada para responder a esta pergunta. 

Para ela, “a juventude será tratada como merece, com acesso a educação de qualidade e uma ocupação decente”. Marina disse ainda que “o combate a violência é fundamental para se combater o tráfico de drogas e de armas”. 

Em seguida foi a vez de Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari – BA. “Que políticas públicas podem corrigir o processo de desvalorização da família? Como não desperdiçar o recurso que a família constitui para o público brasileiro? 

Levy Fidélix foi sorteado para responder esta questão. Segundo o candidato “a família brasileira é indissolúvel. Freqüento assiduamente as missas porque tenho a convicção de que uma família unida e que vá à Igreja seja um exemplo para aqueles a sua volta”. Ele foi além e disse ainda que “os maus exemplos são uma questão crucial, a união homoafetiva destrói sim a família. Um governante precisa se pautar acima de tudo pelas famílias e dar bom exemplo”. 

Dom José Belisário da Silva, vice-presidente da CNBB e Arcebispo de São Luiz do Maranhão – MA, fez a terceira pergunta. “Candidato: qual o seu entendimento sobre o estado laico?”. A sorteada para responder a esta pergunta foi Luciana Genro. 

A candidata do PSOL iniciou sua fala afirmando que “não sou uma pessoa religiosa, mas tenho o maior respeito por todas as religiões”. Segundo ela, “não vou me converter como muitos candidatos o fazem por oportunismo de ocasião”. Sobre o estado laico, Luciana Genro disse que “é importante para assegurar os direitos de todas as religiões e de quem não tem religião.” Finalizando sua resposta, a candidata disse que “é a favor da união civil entre homossexuais, mas é necessário combater a homofobia, o racismo e a transfobia”. 

Dom Guilherme Werlang, Bispo de Ipameri – GO – questionou sobre como acabar com a pobreza no Brasil. Dilma Rousseff foi a sorteada para responder a pergunta. 

Segundo a candidata à reeleição, seu compromisso “é fundamentalmente reduzir a desigualdade”. Ela citou o levantamento realizado pela ONU apontando que o país saiu do Mapa da Fome. “Fizemos isso porque reduzimos a população de pessoas subalimentadas”. Dilma afirmou que conseguiu chegar a este nível graças a programas sociais como “o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo e duas refeições por dia para as crianças nas escolas”. 

“O seu governo extinguirá o vergonhoso analfabetismo e também o analfabetismo funcional?” Esta foi a pergunta de Dom Joaquim Mol, Bispo Auxiliar de Belo Horizonte – MG. 

“Dom Joaquim sabe do esforço que fizemos em Minas Gerais, onde temos a melhor educação fundamental do país. Não somos os mais ricos, pelo contrário, temos regiões com o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – quase do nordeste”, respondeu o candidato do PSDB, Aécio Neves, que não conseguiu finalizar seu pensamento por ter esgotado o tempo. 

Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo de Campo Grande – MS – e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, quis saber sobre o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional que proíbe a concessão de emissoras de rádio e TV’s para grupos ligados a Igreja. Para responder a este questionamento, foi sorteado o Pastor Evaraldo. 

“Minha posição é 100% contrária a esse projeto. Sou a favor da liberdade de imprensa, de comunicação, sem marco regulatório. Sem o Estado dizendo o que pode e o que não pode fazer”. O candidato disse ainda que “temos hoje um país que está se desenvolvendo porque temos uma imprensa livre. Quando a imprensa é livre, a gente pode ver as notícias de todo o dia, para a população tomar conhecimento”. 

A sétima pergunta foi formulada pelo Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner. “Quais são suas propostas para os nossos irmãos e irmãs que vivem e perambulam pelas ruas das nossas cidades?” 

José Maria Eymael foi o sorteado para responder a esta pergunta. Para o democrata cristão, “a dignidade humana é pedra fundamental da democracia cristã. Quando se fala em recursos humanos, temos que falar em igualdade de oportunidades. É a chave para que os seres humanos possam melhorar de vida”. E finalizou: “Não existe democracia se não houver igualdade de oportunidades. E não há essa igualdade no Brasil”. 

O último a perguntar foi Dom Jacinto Furtado, Arcebispo de Teresina – PI. “O artigo 67, no ato das disposições constitucionais transitórias, determina que todas as terras indígenas sejam demarcadas num prazo de cinco anos, a partir da data da promulgação da Constituição de 1988. Até esta data, nem a metade das áreas indígenas chegou ao fim desse processo. Caso eleito, o que fará para mudar isso?” 

Eduardo Jorge, candidato do PV foi o último a responder. Segundo ele “apenas 38% (das terras) foram demarcadas. Vamos no ritmo decadente de demarcação de terras indígenas. Isso significou mais violência, fome e mortalidade infantil das nossas populações indígenas”. O candidato apontou ainda que “40% das mortes de indígenas são crianças”. 

O debate promovido pela CNBB ficou entre os mais comentados nas redes sociais, com destaque para o Twitter e Fecbook. Segundo o Topsy.com, ferramenta utilizada para mapear o número de menções de determinado tema no Twitter, a hashtag #DebateAparecida foi mencionada mais de 38 mil vezes e a hashtag #DebateCNBB apareceu em mais de 23 mil menções. 

O assunto também ficou nos Trending Topics – assuntos mais comentados no Twitter no mundo – durante todo o debate, permanecendo em primeiro lugar por mais de 20 minutos.

Luciano Batista

Com informações do portal A12

*As imagens foram gentilmente cedidas pelo portal A12

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