Homilia do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis por ocasião da Missa de corpo presente do artista sacro Claudio Pastro

Homilia do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis por ocasião da Missa de corpo presente do artista sacro Claudio Pastro

Mosteiro Nossa Senhora da Paz, 19 de outubro de 2016

 

 

Caro Dom Devair, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, caro Abade Dom Mathias do Mosteiro de São Bento também na cidade em São Paulo, queridos irmãos do ministério presbiteral que concelebram comigo esta Santa Eucaristia; prezadas Irmãs Beneditinas aqui do Mosteiro Nossa Senhora da Paz, religiosas, religiosos vindos de outros lugares, prezada senhora mãe do Cláudio Pastro, irmãos, irmãs e demais familiares e amigos e amigas desse nosso irmão falecido.

Aqui estamos para nos despedirmos desse nosso querido irmão e amigo, Claudio Pastro e também encomendá-lo a Deus para que Deus o acolha em seu Reino como Jesus prometeu a seus discípulos e a todos nós conforme o evangelho que escutamos o evangelho de João: “Na casa de meu Pai há muitas moradas e onde eu estiver também quero, desejo que vós também estejais comigo”.

Certamente, queridos irmãos e irmãs, Claudio deve estar feliz, contente junto de Deus com esta nossa celebração eucarística num local que lhe foi tão querido, tão caro e a ele, claro, esta liturgia eucarística, estas exéquias celebradas com tanto fervor com tanta participação tão piedosa, certamente é do seu gosto. Ele está celebrando já a liturgia lá na Jerusalém celeste onde não há mais choro, onde não há mais morte, não há mais dor, mas só alegria, felicidade junto de Deus porque Deus realmente quer a nossa felicidade, fomos criados por Ele para um dia também estarmos juntos com Ele no céu, na eternidade.

Certamente muitos aqui, as Irmãs Beneditinas, porque o Claudio estava intimamente ligado a esta comunidade como oblato beneditino, “Irmão Martinho de Tours”, escolheu esse nome, um nome tão significativo também na história da Igreja, Martinho de Tours, esse grande santo, grande amigo dos pobres, todos conhecemos a história de São Martinho que deu o seu manto a um pobre que necessitava de abrigo, de amparo e as irmãs conheceram porque desde jovem ele aprendeu aqui, com a primeira abadessa, fundadora deste mosteiro, ele aprendeu a dar os primeiros passos da arte sacra e a irmã abadessa compreendeu os seus talentos e se entregou por inteiro em ajuda-lo a desenvolver aquilo que Deus lhe deu para que ele pudesse colocar, realmente, a serviço de Deus, essas suas qualidades de artista sacro de certo modo que as irmãs certamente teriam muitas coisas para contar, para narrar acerca do Claudio Pastro, acerca das suas qualidades humanas, acerca das suas virtudes cristãs que são numerosas e com certeza os sacerdotes concelebrantes e as demais pessoas que o conheceram e cultivaram uma amizade com ele, certamente teriam muitas coisas a contar para a nossa edificação porque muitas vezes Claudio Pastro como um artista, voltado para a sua missão, certamente não era um homem muito dado à grande mídia, aos holofotes, muito pelo contrário, era um homem certo, dotado até pelo contrário de uma tendência, de uma vida mais contemplativa, mais de oração como é próprio dos beneditinos, unindo vida ativa e vida contemplativa e uniu bem essas duas dimensões da vida. Trabalhou como artista sacro desenvolveu tantas obras, não só no Brasil como também no exterior de modo que ele se tornou conhecido de fato, mundialmente. Muitas vezes quando não podia ir pessoalmente ao local, numa construção, alguma obra de arte, ele muitas vezes, até pelo telefone, orientava as pessoas que pediam a sua orientação, o seu conselho.

Não há quase lugar no Brasil onde não tenha o seu traço de artista, seja em capelas muitas vezes mais obscuras, desconhecidas, seja em igrejas mais conhecidas nas grandes cidades ou no interior, mas, sobretudo, como já foi dito aqui pelo padre Daniel no início, a obra talvez maior e que ele tinha tanto apego, seja sem dúvida, eu creio, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Ali ele realmente dedicou grande parte da sua vida, pelo menos os últimos anos da sua vida e muitas vezes, com muito sacrifício. Nós sabemos o quanto Claudio Pastro teve que lutar com a sua enfermidade e finalmente o levou ao final da vida no hospital Oswaldo Cruz.
Mas em Aparecida, eu creio sem dúvida nenhuma, a mais bela, a mais visitada, a mais admirada em todo o mundo em todo o Brasil porque ali acorrem em nosso Santuário milhares e milhares de peregrinos e ali não só as pessoas de certo nível cultural e social, mas todas as pessoas, os humildes devotos, todos realmente ficam extasiados diante da beleza da Basílica de Nossa Senhora Aparecida. É uma arte que fala por si mesma e o Claudio Pastro realmente expressava nas suas obras a sua vida, a sua vida de oração, a sua vida de contemplação, sua vida espiritual e, como me dizia alguém, antes de realizar alguma obra, por menor que fosse ele se colocava primeiro em oração e o seu desejo é que realmente, suas obras levassem à oração, elevasse a mente e o coração das pessoas que contemplam as suas obras de arte até Deus, até, digamos, a essa dimensão transcendental, por isso as suas obras expressam a sua vida, só pode ser de um homem de oração, de um homem de contemplação, de um homem de fé, de um homem de muito amor porque, muitas vezes, com muito sacrifício, como falei, se dedicava à finco na realização das obras que ele concebia e acompanha a sua execução com muito carinho, com muita responsabilidade, com muita atenção. O Claudio Pastro tinha realmente, um sentido de responsabilidade, um sentindo de fazer sempre o melhor que ele podia fazer nas suas obras e realmente elas são admiradas por todas as pessoas e esse mosteiro tem, evidentemente, marcas do seu jeito artístico, deixou muitas marcas como podemos ver aqui, o Cristo Pantocrator aqui nesse mural uma de suas obras que é muito conhecida e tantas outras que certamente vocês conhecem e certamente admiraram o trabalho desse grande artista cuja obra prima eu considero o Santuário Nacional e dentro do Santuário Nacional, digamos o ápice da sua obra, aquela cúpula maravilhosa que está sendo concluída que eu creio ele teve a felicidade de contemplar já acabada embora ela não esteja exposta à admiração dos peregrinos por enquanto porque não foi oficialmente inaugurada, mas certamente ele teve a oportunidade de contemplar essa obra maravilhosa que é realmente o ápice da sua obra de artista sacro.

Na última reunião que tivemos com ele em Aparecida ele nos mostrou nos apresentou a complementação das naves da Basílica de Aparecida de modo que podemos dizer que a obra interna do Claudio Pastro praticamente está toda ela concluída porque ele deixou os desenhos das naves que vão complementar aquela cúpula da Basílica de Aparecida pronta apenas esperando o momento oportuno para a sua inauguração. Creio realmente que a obra prima do Claudio é a Basílica de Nossa Senhora, portanto isso mostra também o seu amor pela Virgem Maria, o seu amor a Nossa Senhora, a ela ele dedicou grande parte do seu talento, grande parte da sua vida e como sabemos, Nossa Senhora, nenhuma mãe deixa de retribuir o amor, o carinho de seus filhos e certamente Nossa Senhora estará, ou já está acolhendo ele junto de Deus em seus braços como Deus nosso Pai Misericordioso que o está acolhendo na eternidade.

Claudio Pastro tinha uma grande preocupação com a liturgia, uma liturgia bem celebrada, bem participada, uma liturgia que nos levasse à oração, à contemplação do mistério central da liturgia que é a celebração do mistério pascal de Cristo, da sua morte e da sua ressurreição e lá, na cúpula da Basílica, nós temos a chamada “Árvore da Vida”. Todos aqueles mosaicos que foram desenhados, claro não foram confeccionados no Brasil, mas na Itália depois implantados, colocados aqui também por uma empresa especializada, mas toda a concepção daquela cúpula é do artista Claudio Pastro e no dizer de suas palavras ele dizia que deseja ser aquela árvore da vida, aquela cúpula representando toda a criação, os vegetais, os animais, a vida humana, ele dizia que deseja que seja um “hino de louvor e ação de graças através da liturgia, o mistério pascal celebrado nesse local da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida”.

De modo que estamos aqui para nos despedir dele, estamos aqui para encomendá-lo a Deus, que o acolha em seus braços e que o nosso Pai bondoso, misericordioso através também das mãos de Maria a quem ele realmente amou a quem ele serviu através do seu dom de artista sacro de modo que a sua obra não só no Santuário Nacional, mas por onde ele passou e deixou marcas e obra que é admirada por tantas pessoas certamente as suas obras irão permanecer como uma perene recordação da sua devoção, da sua fé e certamente da sua capacidade de artista e não há dúvidas, Claudio Pastro foi um dos maiores se não o maior artista sacro do nosso Brasil admirado até mesmo no exterior.

De modo que queremos aqui nessa eucaristia louvar e agradecer a Deus, louvar a Deus pela sua vida, louvar a Deus pela sua obra maravilhosa que conseguiu realizar. Certamente lamentamos que ele tenha sido chamado assim, digamos que de certo modo prematuramente para junto de Deus, poderia quem sabe ainda produzir obras maravilhosas à nossa admiração para levar as pessoas à oração, ao amor a Deus, à Nossa Senhora, mas Deus tem seus projetos, seus planos que nem sempre são os nosso planos e certamente ele cumpriu, dentro da providência divina a missão que Deus lhe reservou ao chamá-lo a esse mundo e ele pode certamente dizer diante de Deus que realizou a missão que Deus lhe deu da melhor maneira possível. Procurou colocar os seus talentos, as suas qualidades a serviço da fé, a serviço da arte sacra e através dessa arte, certamente, ele exerceu e continuará exercendo um grande apostolado porque muitas pessoas que se encontram com suas obras vão certamente, não apenas admirar, não só extasiar-se diante da beleza das suas obras, mas certamente vai elevar os seus pensamentos a Deus e muitas vezes a arte é o caminho de conversão para muitas pessoas porque aproximar-se da arte é aproximar-se de Deus porque Deus é a beleza, Deus é a bondade de modo que a arte é uma expressão da beleza é uma expressão da bondade de Deus e não nos deixa de aproximar da bondade de Deus quando obviamente nos aproximamos de uma obra de arte verdadeira de modo que as obras do Claudio Pastro permanecerão para sempre e nós, através delas,nos recordaremos para sempre.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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