Meditação sobre as leituras - 22º Domingo do Tempo Comum

O amor de Deus vale mais do que a vida

Jr 20,7-20

Sl 62,2-6.8-9

Rm 12,1-2

Mt 16,21-27

A Primeira Leitura nos permite vislumbrar o profeta Jeremias num momento de fraqueza. Sua lamentação mais íntima contém uma das mais fortes expressões de dúvida encontradas na Sagrada Escritura. Atendendo ao chamado de Deus, tudo o que ele sente é o abandono. O anúncio da palavra de Deus fez dele alvo de irrisão, zombaria, vergonha, chacota, reprovação.

Mas Deus não engana, e o profeta Jeremias sabe disso muito bem! Ele põe o justo à prova (Cf. Jr 20,11-12) e educa seus filhos, corrigindo-os por meio do sofrimento e da provação (Cf. Hb 12,5-7).

O que Jeremias aprende disso, Jesus o declara explicitamente no Evangelho de hoje. Segui-lo é tomar a cruz, é renunciar a si mesmo – às prioridades, preferências e conforto. Significa estar disposto a desistir de tudo, a ponto de entregar a própria vida pela causa do seu Evangelho. De acordo com as palavras de São Paulo na Carta aos Romanos, temos de nos unir a Cristo em sua bem-aventurada Paixão, ofertando nossos corpos, isto é, a totalidade do nosso ser, como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”.

Por sua cruz, Jesus nos ensinou para o que apontavam os sacrifícios de animais do povo de Israel: que devemos a Deus tudo o que temos. Esse é o verdadeiro sacrifício de nós mesmos!

O amor de Deus vale mais do que a vida, como cantamos no Salmo. Portanto, a única forma de gratidão que podemos oferecer é a nossa adoração em espírito e verdade – dar a nossa vida ao serviço da sua vontade (Cf. Hb 10,3-11; Sl 50,14.23).

No Evangelho, vemos que Pedro ainda não chegara a compreender isso. Como o era para Jeremias, a cruz era um sinal de contradição, uma pedra de tropeço para ele (Cf. 1Cor 1,23). Essa também é nossa tentação natural – recusar a crer que nossos sofrimentos realizam uma parte necessária no plano de Deus.

Jesus nos diz hoje que é assim mesmo que as pessoas pensam. Mas, irmãos, somos chamados a não nos conformarmos com o mundo, e sim a nos transformar, renovando nossa maneira de pensar e de julgar – pensar como Deus pensa, desejar o que Deus deseja.

A cada missa, uma vez mais, oferecemos a nós mesmos como “um sacrifício de louvor a Deus, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Cf. Hb 13,15). Louvamos a Deus pelo modo como vivemos, confiantes de que encontraremos nossa vida, perdendo-a por Cristo Jesus, nosso Senhor, e satisfeitos com o rico banquete que ele nos prepara.

Ulisses Quintão de Carvalho

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